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Theatro Municipal: Continuidade da temporada depende de patrocino
20 junho, 2018

Emendas na Lei Orçamentária para destinar verbas ao Theatro Municipal e nova audiência no segundo semestre. Estes foram os encaminhamentos da audiência pública, realizada nesta terça-feira, na Comissão de Cultura da Alerj. Para Zaqueu Teixeira (PSD), que preside a Comissão da Alerj, com os problemas financeiros que o estado vem enfrentando, o valor de R$ 700 mil destinados ao Municipal ainda pode mudar.

Mesmo com esses resultados, usar quase todo o recurso para um único espetáculo pode inviabilizar a realização de novas atividades, gerando uma pauta negativa que pode prejudicar a imagem do teatro”, disse. A discussão surgiu devido a insatisfação do corpo técnico da instituição a cerca dos recursos aplicados em um único espetáculo, a ópera “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi, que fez parte da programação, entre abril e maio deste ano.

O espetáculo, que custou R$ 1,3 milhão, contou com grandes recursos tecnológicos e integrantes de elenco internacionais. Depois desta ópera e de outros espetáculos exibidos no primeiro semestre, o orçamento do teatro conta agora com cerca de R$ 700 mil para todas as demais atividades agendadas para 2018 e precisará de recursos de patrocínios para encerrar a programação do ano.

O ponto de vista de Zaqueu Teixeira diverge do presidente da instituição, Fernando Bicudo. Bicudo afirmou que “Um Baile de Máscaras” teve ótima representatividade na mídia, sendo uma vitrine para investimentos. Entre março e maio, houve mais de 88 inserções nos meios de comunicação sobre o Theatro Municipal; destas, 85 eram positivas. “Essa produção, inédita no Brasil, já está sendo ambicionada por países europeus e talvez compense os gastos feitos”, disse. “Contamos com a parceria dos patrocinadores para viabilizar a temporada do Theatro Municipal”, completou, citando a Petrobras como uma das empresas patrocinadoras.

O deputado Luiz Paulo (PSDB), que solicitou a audiência ao presidente Zaqueu, reclamou da ausência do secretário de Cultura, Leandro Monteiro, ou de um representante da SEC. “Se ele não pôde vir por um fato excepcional, que se escolha um representante. A Secretaria de Cultura não é só uma pessoa”, criticou.

Já o deputado Eliomar Coelho (PSOL) lamentou que a Cultura seja tão desvalorizada num estado como o Rio de Janeiro. “Nós nunca temos uma audiência para apresentar dados positivos sobre a Cultura. Trabalhar este tema é uma frustração permanente”, lamentou. André Lazaroni (MDB) também participou da audiência.

Recursos públicos

Do total gasto com o espetáculo “Um Baile de Máscaras”, apenas R$ 290 mil reais foram quitados. O dinheiro, segundo Bicudo, veio do valor arrecadado na bilheteria e o restante seria pago com os recursos vindos do Executivo. A subsecretária de Política Fiscal da Secretaria de Fazenda, Josélia Castro, explicou que a crise financeira tem afetado a dotação orçamentária, mas destacou que é interesse do governo manter o teatro de pé. “Olhando para o fim do túnel, vemos que não estamos perto, mas já estamos melhor”, disse.

Além de recursos da Fazenda e de patrocinadores, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro ainda possui um fundo próprio e, segundo a subsecretária Josélia, pode recorrer à Lei 1.954/92, que dispõe incentivos fiscais a empresas que investirem no equipamento cultural do estado.

Investimento em pessoal

No ano passado, o corpo artístico do Theatro Municipal ficou quatro meses sem receber salários e, como foi de consenso durante a audiência, foram responsáveis por manter o espaço em funcionamento. Em 2018, a categoria ainda espera melhorias trabalhistas. De acordo com Fernando Bicudo, a defasagem salarial é de 150% se comparada a outros teatros municipais do país. O número de funcionários também está abaixo do esperado, como pontuou Ciro D’Araújo, membro do coral do Theatro Municipal. “Estamos sem previsão de concurso e acho que, mesmo se houvesse, não atrairia as pessoas mais qualificadas por causa do baixo salário inicial”, lamentou.

Já o bailarino Bruno Fernandes avaliou que o problema orçamentário do Theatro Municipal é reflexo de planos megalomaníacos e maus investimentos. Ele contou que o balé do Municipal é o único grupo no Brasil que recria clássicos centenários e defendeu que, mesmo quando houver convidados internacionais, o corpo profissional do teatro seja valorizado. Para Bruno, a produção de espetáculos já realizados no local (com figurinos já feitos, por exemplo) poderia ser mais rentável em um momento de baixo orçamento. “O Theatro Municipal tem 109 anos, a orquestra, 87, o coro, 86 e o balé, 81. Como todo senhor idoso, nós queremos ser respeitados”, cobrou.

Foto de Rafael Wallace/Alerj

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